sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O olhar do outro é mesmo importante?

Será que a vaidade é algo pessoal,  ou o que queremos na realidade é sermos notados? 
São duas verdades, que sinceramente a primeira é uma proteção intima, a vaidade é pretexto para negarmos que nos importamos com o olhar do outro, quando é exatamente isso que queremos, é ter notoriedade e admiração.
Vivemos escravos de conceitos de beleza pré estabelecidos, batons, perfumes, esmaltes, cremes, saltos enfim todos os artefatos necessários para a beleza e aumento da auto estima, muitos dizem:"me arrumo para mim", mentira!!, queremos ser aceitos  e não há nada errado nisso em assumir que o olhar alheio é importante, e é verdade, hipocrisia dizer o contrário...
Eu quero é ser notada, isso me faz muito bem...que graça tem colocar um belo vestido, fazer as unhas e passar um batom se ninguém perceber a presença...isso é importantíssimo, porém só isso não basta e aí que vem o pulo do gato... leia, seja antenado, adquira cultura, isso o tempo não leva, cultive amigos verdadeiros, tenha humildade,seja bom, permita-se usar um shorts jeans surrado e pé no chão isso é muito sexy...Tudo isso junto faz uma mistura perfeita de um ser maravilhoso...e ame , ame muito o brilho do seu olhar irá ser notado, porque apesar de todas as ferramentas que a industria da beleza tem, esse brilho no olhar é só seu, não dá pra comprar...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Conto de Maria.

A manhã continuava cinza, quase um breu pelo menos na vida dela, como se repetira pelos últimos meses.A tristeza que se fazia presente em sua vida era evidente e notória, mas os detalhes  somente ela sabia, a sua rotina era um calvário, acordava mandava a criança para o colégio, e ali começava tudo. Sentava-se no meio da cama e jogava a caixa de retratos e recordações, ali olhava as figuras atentamente, entre lágimas e sorrisos, evidenciava a tristeza e saudade,daquele que perdera e jamais iria voltar, era um misto de saudade, agonia e impotência, seu grande amor partiu, e isso era difícil de aceitar, mas não havia outra maneira de expressar seu sofrimento, as duas horas marcadas pelo regresso  do passado recente acabaram para o dia. Então cuidadosamente acomoda na caixa de lembrança os álbuns de fotos um a um. Volta como de costume para a cama,numa enorme preguiça pela vida, não que durma, mas que pelo menos pense.
Depois de algumas horas retoma a consciência que o mundo não parou e que tem quem despertar de si, a água jogada no rosto, talvez seja uma forma desesperada de procurar acordar,ou talvez encontrar um sentido para seguir pelo menos por hoje.
Na sua presença altiva, se torna as vezes impeceptível aos olhos alheios sua tristeza, porque seu orgulho é maior para poder expressar seus sentimentos, jamais admitiria alguém sentir pena sua, então dentro de sua unidade sofria só. Em seu próprio mundo vivia. O mundo de Maria.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Conto do vagão de trem.

Tudo parece igual, o mesmo  balanço, quase as mesmas pessoas, o mesmo horário.O vagão praticamente vazio, os rostos cansados e sonolentos,  alguns ouvindo música através de seus fones, muitos teclando em ritmo acelerado enviando mensagens dos celulares e aguardando ansiosamente as respostas. As pessoas não percebem umas as outras, o ritmo da vida é frenético e impede o olhar ao outro.
Senta-se a minha frente um senhor de mais ou menos uns setenta anos, chapéu na cabeça, óculos pequeno já bem antigo, calça e camisa já bem surrados, desgastados pelo tempo, carrega consigo uma mochila , penso comigo, "deve carregar sua vida lá dentro", meu pensamento é certeiro...Com  delicadeza e cuidado abre a mochila, como estivesse abrindo um baú recheado de ouro. Percebo que há várias sacolinhas plásticas com coisas dentro, isso me despertou grande curiosidade, abriu uma retirou de dentro um livro pequeno já gasto e com folhas amareladas pelo tempo::"Evangelho segundo São João, percebi que haviam vários papeis por entre as folhas, ele cuidadosamente desdobrava,lia ,  dobrava novamente e com o mesmo cuidado colocava na mesma pagina onde retirara, um volume maior entre outras paginas , percebi então que eram fotos,  ele retirou as fotos e começou a admira-las uma a uma, eram fotos, mas havia cartões postais,  as fotos aparentemente eram de um rapaz jovem com roupas do  exército, nesse momento ele fixou o olhar por alguns minutos, foi quando eu vi que uma lágrima escorreu no canto do olho direito, puxou um lenço do bolso, retirou os óculos e secou a lagrima, em um gesto calmo, com paciência guardou as fotos na mesma página com um cuidado como isso fosse o seu bem mais precioso. Certamente era alguém muito por ele amado.
Não me coube nenhuma pergunta, mesmo porque ele nem percebeu o meu olhar naquela cena, ele estava demaseadamente envolvido em seu mundo para reparar que estava sendo observado.

Conto do vagão de trem.

Tudo parece igual, o mesmo  balanço, quase as mesmas pessoas, o mesmo horário.O vagão praticamente vazio, os rostos cansados e sonolentos,  alguns ouvindo música através de seus fones, muitos teclando em ritmo acelerado enviando mensagens dos celulares e aguardando ansiosamente as respostas. As pessoas não percebem umas as outras, o ritmo da vida é frenético e impede o olhar ao outro.
Senta-se a minha frente um senhor de mais ou menos uns setenta anos, chapéu na cabeça, óculos pequeno já bem antigo, calça e camisa já bem surrados, desgastados pelo tempo, carrega consigo uma mochila , penso comigo, "deve carregar sua vida lá dentro", meu pensamento é certeiro...Com  delicadeza e cuidado abre a mochila, como estivesse abrindo um baú recheado de ouro. Percebo que há várias sacolinhas plásticas com coisas dentro, isso me despertou grande curiosidade, abriu uma retirou de dentro um livro pequeno já gasto e com folhas amareladas pelo tempo::"Evangelho segundo São João, percebi que haviam vários papeis por entre as folhas, ele cuidadosamente desdobrava,lia ,  dobrava novamente e com o mesmo cuidado colocava na mesma pagina onde retirara, um volume maior entre outras paginas , percebi então que eram fotos,  ele retirou as fotos e começou a admira-las uma a uma, eram fotos, mas havia cartões postais,  as fotos aparentemente eram de um rapaz jovem com roupas do  exército, nesse momento ele fixou o olhar por alguns minutos, foi quando eu vi que uma lágrima escorreu no canto do olho direito, puxou um lenço do bolso, retirou os óculos e secou a lagrima, em um gesto calmo, com paciência guardou as fotos na mesma página com um cuidado como isso fosse o seu bem mais precioso. Certamente era alguém muito por ele amado.
Não me coube nenhuma pergunta, mesmo porque ele nem percebeu o meu olhar naquela cena, ele estava demaseadamente envolvido em seu mundo para reparar que estava sendo observado.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O mau amigo.

Aprendi que somos responsáveis por nós e por todos aqueles que nos cercam e nos são necessários, ou seja aqueles que amamos.
Aprendi também que não devemos ter "dó", "pena", ou algo semelhante, devemos sim nos compadecer, isto é sentir o sofrimento alheio, sentir junto.
Também aprendi que não devemos ser doces em tais circunstâncias, e sim um tanto duros, porque a dureza faz acordar, dá um despertar intenso e quem sofre começa a enxergar que o mundo não pará por conta do seu sofrimento.
Daí vem o "pulo do gato", a necessidade da mudança de atitude diante do acontecido ou circunstância. Diria até a grande virada.
Tenho observado com frequência que isso acontece e é real, a não ser com pessoas que insistem em ter dó de si mesma.
Aprendi também que quem ama de verdade não passa a mão na cabeça, e  sim talvez aquele que te dá um chute na bunda que te manda pra frente, e te leva a ver a vida como ela verdadeiramente é.
Tive essa experiência recentemente e vi a transformação de uma pessoa a beira da depressão, e hoje está com a auto estima elevada, talvez não esteja feliz por completo, mas já é um bom começo. Pelo menos sendo uma má amiga consegui algum progresso, pretendo continuar assim com a mesma dureza, de piedade o mundo  está cheio, o que é necessário é fazer o bem mesmo sendo mau.